Hoje escrevo para mim. Isso vai endereçado única e exclusivamente a mim, ou à pessoa que me tornei nos últimos meses, e pior: aos pouquinhos. Tão inesperadamente que eu nem notei. Ao longo da vida, enfrentamos situações que nos fazem querer mudar, melhorar, amadurecer. Algumas delas, nos fazem querer deixar de lado, seguir em frente, ou tentar a todo custo, esquecer de alguma maneira. Em alguns casos, essas últimas situações vêm acompanhadas de orgulho. Uma verdade sobre mim é que eu sempre senti muito orgulho de mim mesma por não ser uma pessoa orgulhosa.
À medida que as coisas foram mudando, eu fui mudando também. Uma coisa é certa: nem tudo que mudou em mim, mudou para melhor. Cheguei ao ponto de me olhar no espelho e não reconhecer quem estava ali. Cheguei ao ponto de enxergar meu orgulho transbordando meu corpo pra tudo que é lado. Me pergunto: em que momento deixei de ser, nesse aspecto, alguém que se orgulhava de si mesma? Em que momento esse sentimento me cegou?
Uma mágoa pode ser suficiente para tudo isso? Eu respondo: Pode, mas não deve. Todos os sentimentos malucos que começaram a florescer dentro de mim por causa desse danadinho desse orgulho, começaram a me corroer aos pouquinhos e, admito, não demorou muito tempo pra eu perceber que eu tinha me tornado uma pessoa lotada de sentimentos que eu sempre lutei contra sentir, que eu sempre pensei que jamais sentiria, não importa o que acontecesse.
Então, hoje, acabei percebendo que o orgulho tava tão gigante dentro de mim que eu me senti um pouco engasgada. Êpa, Seu Orgulho, pode parar de tentar fazer isso comigo, que eu sou uma pessoa só minha e você não manda nas minhas atitudes e nas minhas mais profundas vontades. Aqui não tem espaço pra você. Então, estou te engolindo. Tchau!



