quinta-feira, 19 de julho de 2012

This is me swallowing my pride

Hoje escrevo para mim. Isso vai endereçado única e exclusivamente a mim, ou à pessoa que me tornei nos últimos meses, e pior: aos pouquinhos. Tão inesperadamente que eu nem notei. Ao longo da vida, enfrentamos situações que nos fazem querer mudar, melhorar, amadurecer. Algumas delas, nos fazem querer deixar de lado, seguir em frente, ou tentar a todo custo, esquecer de alguma maneira. Em alguns casos, essas últimas situações vêm acompanhadas de orgulho. Uma verdade sobre mim é que eu sempre senti muito orgulho de mim mesma por não ser uma pessoa orgulhosa.

À medida que as coisas foram mudando, eu fui mudando também. Uma coisa é certa: nem tudo que mudou em mim, mudou para melhor. Cheguei ao ponto de me olhar no espelho e não reconhecer quem estava ali. Cheguei ao ponto de enxergar meu orgulho transbordando meu corpo pra tudo que é lado. Me pergunto: em que momento deixei de ser, nesse aspecto, alguém que se orgulhava de si mesma? Em que momento esse sentimento me cegou?

Uma mágoa pode ser suficiente para tudo isso? Eu respondo: Pode, mas não deve. Todos os sentimentos malucos que começaram a florescer dentro de mim por causa desse danadinho desse orgulho, começaram a me corroer aos pouquinhos e, admito, não demorou muito tempo pra eu perceber que eu tinha me tornado uma pessoa lotada de sentimentos que eu sempre lutei contra sentir, que eu sempre pensei que jamais sentiria, não importa o que acontecesse.

Então, hoje, acabei percebendo que o orgulho tava tão gigante dentro de mim que eu me senti um pouco engasgada. Êpa, Seu Orgulho, pode parar de tentar fazer isso comigo, que eu sou uma pessoa só minha e você não manda nas minhas atitudes e nas minhas mais profundas vontades. Aqui não tem espaço pra você. Então, estou te engolindo. Tchau!


sábado, 30 de junho de 2012

Sonho de Paraíso


Minha ideia de Paraíso é bem menos gananciosa do que, na verdade, a palavra representa. Durante a minha vida eu conheci vários paraísos diferentes e, em cada um deles, sempre havia o outro lado, aquele que as pessoas insistem em chamar de inferno. Eu, ainda vou continuar chamando de Paraíso, por mais doído que esse outro lado seja. Para cada Paraíso que tive e vivi, adquiri experiência, alegria, mágoa, calos, dores, sabores e cicatrizes.


Mas, no fundo, reconheço que classifiquei como Paraíso tudo o que veio em minha vida acrescentar alguma coisa (ou alguém). O Paraíso passou, então, a existir dentro de mim, na minha vida, nas minhas atitudes, nos meus sonhos. Em alguns, cresci como mulher, voltei a ser menina, passei a ser amada e fui, várias vezes, admirada. Em outros, adicionei narizes torcidos, falta de crença, de afeto, de consideração e, principalmente, de respeito. Tudo, no final das contas matemáticas, com um único denominador comum: o meu amor por mim mesma.

Passei por paraísos onde me doei, onde me entreguei, onde fui amiga e fui amor ao mesmo tempo, onde fui só amiga, onde fui só amor. Também tive alguns em que fui verdade, pureza, sinceridade, em que fui unilateral, em que fui correspondida, em que achei que estava sendo. Ao fim da parte linda e florida dos primeiros paraísos, bati o pé, chorei, relutei, corri atrás pra conseguir de volta e fiz aquelas costumeiras perguntas: por que não deu certo, se tinha tudo? por que não recebi de volta tudo o que dei? por quê? por quê? ... Com o passar dos paraísos eu fui percebendo que isso simplesmente não adiantava, nem para mim, Eva, nem para Adão. A gente tinha que seguir caminhos diferentes mesmo. E eu, eu sozinha, comigo mesma, devia aceitar.

Foi com esse pensamento que comecei a colocar as partes feias e tristes dos meus paraísos dentro de um espremedor de laranja, toda vez que elas passavam. O bagaço, no fim das contas, era mesmo a parte ruim, da qual não se pode extrair absolutamente nada. Aquela que você precisa deletar, fingir que nunca aconteceu, achar que nunca passou, para poder viver melhor dentro de você mesma. Já a parte que vira suco, tratei de botar um rótulo e chamar de Experiência. Boas ou ruins, é fato que elas sempre estiveram presentes em cada Paraíso por qual passei. O que sei que é bom e que verdadeiramente acrescenta algo é que, o suco de laranja dos meus paraísos são coisas só minhas, são coisas que só eu enxergo como as enxergo, só eu as tenho dessa maneira. Só eu, mais ninguém. Eu, a única pessoa que permaneceu ao final de cada Paraíso. Eu, meu próprio Paraíso.



sexta-feira, 13 de abril de 2012

Antes que termine o dia

Há alguns minutos lembrei do meu filme preferido, razão do nome do post de hoje. Alguns minutos antes de tudo isso, pensei o que fazer com uma situação na qual me encontro e tenho dúvidas se devo demonstrar o que estou sentindo em relação a ela ou não. A verdade é que nem todas as coisas devem ser demonstradas. Há alguns anos, eu achava que nada devia ser tão demonstrado assim, ou talvez fosse porque eu tinha medo mesmo de abrir meu coração e ter ele todo despedaçado.

Fui muitas vezes tachada de insensível e coração de pedra. Já terminaram relacionamentos comigo por acharem que eu não sentia nada, por acharem que eu não dava a mínima, ou que a relação pra mim era um passatempo. Já terminaram namoro comigo porque eu não disse "eu te amo" de volta, porque eu não costumava ligar, porque eu parecia não me importar. A verdade, é que eu não via necessidade em gritar pro mundo, sendo uma coisa minha e da pessoa em questão, eu achava que ficava sempre muito claro o que minhas atitudes de alguém que gostava queriam dizer.

Depois, parei pra pensar e percebi que, realmente, nunca fui de demonstrar muito. Mas sendo a pessoa transparente que sou, achei que demonstrações exacerbadas de carinho e afeto iam soar falsidade, já que aquela intensidade exigida para que elas aconteçam, nunca foi, de fato, antes, sentida por mim. Mas, há algum tempo, eu sinto. Comecei a pensar em todas as lições que esse filme me ensinou, uma vez que o reassisti. Porque, em resumo, ele ensina que, ANTES QUE TERMINE O DIA, você deve dizer, você deve abrir seu coração, você deve detalhar o que você sente. E não falo de fazer tudo isso para as amigas, porque assim as coisas são fáceis demais. Mas você já experimentou dizer isso pra alguém por quem você realmente sente tudo isso e sentir seu corpo tremer do dedinho do pé ao último fio de cabelo? Eu já.

Parei pra pensar em como podia deixar claro pra ele que o que eu sentia era pra valer e que eu precisava de uma forma de demonstrar isso. Me aproveitei, claro, de datas especiais como aniversário, dia do amigo, natal... Essas datas em que a gente se pega bem sentimental e não sabe a hora de frear. Certa vez, eu e minha amiga prometemos uma à outra que íamos demonstrar o que sentíamos pelas pessoas que estavam ao nosso lado, pois, concluímos que estávamos mesmo precisando extravasar. Foi nesse dia que eu decidi que ia mandar pra ele uma mensagem com um trecho de músicas TODOS OS DIAS, pra que ele soubesse que, pelo menos naquele momento, eu tinha pensado nele e que eu tinha gastado pensamento tentando encontrar uma música que se encaixasse com o que a gente vivia.

A partir daí, a sementinha da declaração entrou na minha vida, e eu percebi que as coisas foram ficando tão mais fáceis. Aquele medo de me sentir vulnerável, praticamente nua, entregue, tinha passado, e eu sentia as palavras fluírem a cada dia com mais facilidade e, às vezes surgiam declarações inesperadas bem no meio das nossas conversas mais rotineiras. Como: "Meu dia? Foi muito estressante. Mas estar com você é o que me deixa feliz". Não sei se porque eu dizia com significado cada palavra de tudo que eu já disse pra ele até hoje, porque eu sentia o meu coração vibrar de felicidade e de calmaria ao mesmo tempo, ou se porque os olhos dele sempre me disseram algo em troca, sempre o que eu precisava "ouvir". Hoje, eu tenho a certeza de que ele não tem a menor dúvida de tudo o que sinto (nem ninguém nesse mundo), porque pra ele sim, abri o coração, soltei o verbo, senti e fui cada palavrinha dita. Tudo foi dito com a mais pura verdade, vinda de um lugar que, na minha vida, na minha história, sempre vence: meu coração.


terça-feira, 10 de abril de 2012

Roda mundo

Acho que hoje, especialmente hoje, véspera de um dia tão importante pra mim e pro meu coração, alguns anjinhos da minha vida acordaram com a missão de me relembrar ou contar histórias que eu gostaria muuuito de ouvir. Aproveitando que tenho Chico Buarque em minha cabeça desde o último sábado, onde NÃO cansei de ouvir (embora a música que realmente grudou como chiclete tenha sido João e Maria), preciso afirmar com a maior convicção que tenho dentro de mim, que o mundo dá muitas voltas.

Que clichê!!! "O mundo dá voltas", blerg. Eu já escutei tanto isso, quando confesso, converso, desabafo, ou, às vezes, quando nem digo nada e as pessoas me percebem com um olhar. Já escutei tanto que não aguentava mais ouvir. Hoje, foi diferente. Sou muito transparente, tanto que às vezes me assusto. Maquiagem, sorrisão no rosto, e sempre vai ter alguém pra notar que as coisas não estão indo muito bem - ou, que as coisas não estão indo como eu queria que estivessem.

Foi nessa transparência que escutei hoje, de uma das pessoas mais serenas, centradas, amáveis e fofas que conheço, o seguinte: "Às vezes, você tenta, tenta, tenta dar certo com uma pessoa. Você coloca na cabeça que é ela e ponto final, que não tem mais ninguém. Às vezes, tem mais alguém, um ou dois, ninguém sabe. Às vezes tem AQUELA PESSOA que você quer que seja, mas não nesse momento, em outro momento, lá na frente, outro dia, em outra ocasião".

Engraçado ter ouvido isso dela. Desde que me contou sua história de AMOR, puro e verdadeiro na sua melhor forma, fiquei sonhando com o dia em que pudesse contar uma história da qual eu me orgulhasse de fazer parte, de viver, de sentir. Me agarrei àquelas palavras como uma criança se agarra ao brinquedo mais desejado dos últimos anos e que veio com o maior esforço do mundo e... serenei!

Decidida a encontrar histórias que me inspirassem a acreditar que um dia possa ter isso na minha vida, pra mim, só meu, algo que eu sinta tanta satisfação em compartilhar como eu tenho prazer em ouvir das outras pessoas, não andei muito até encontrar. Minha amiga, casada, com filho, feliz, dona de uma família que admiro muito e pela qual eu torço tanto, me confessou que o mundo, deu voltas e voltas, muitas mesmo, até que ele parasse exatamente no mesmo lugar em que estava antes de começar a rodar.

Daí, comecei a imaginar que talvez um amor ideal (que fique claro: À MINHA MANEIRA) não pode ser uma coisa assim tão impossível de se encontrar. Acho que o principal de saber que você está dentro de uma história dessas é NÃO SABER. Simplesmente se deixar levar, deixar  que o mundo dê as suas velhas voltinhas (coisa que ele faz todo dia, assim como almoço ou vou trabalhar), cruzar os dedos, confiar e acreditar que, se as voltas acontecerem e o mundo parar no mesmo lugar, era porque nessas voltas, você aprendeu, ele aprendeu, os dois aprenderam juntos e separados, para estarem juntos no fim das voltas. Se o mundo der voltas e parar em outro lugar... Quando isso acontecer, você já vai estar esperando que novas voltas sejam dadas, por novos motivos, novas circunstâncias, e o melhor de tudo: por uma nova pessoa!