Há alguns minutos lembrei do meu filme preferido, razão do nome do post de hoje. Alguns minutos antes de tudo isso, pensei o que fazer com uma situação na qual me encontro e tenho dúvidas se devo demonstrar o que estou sentindo em relação a ela ou não. A verdade é que nem todas as coisas devem ser demonstradas. Há alguns anos, eu achava que nada devia ser tão demonstrado assim, ou talvez fosse porque eu tinha medo mesmo de abrir meu coração e ter ele todo despedaçado.
Fui muitas vezes tachada de insensível e coração de pedra. Já terminaram relacionamentos comigo por acharem que eu não sentia nada, por acharem que eu não dava a mínima, ou que a relação pra mim era um passatempo. Já terminaram namoro comigo porque eu não disse "eu te amo" de volta, porque eu não costumava ligar, porque eu parecia não me importar. A verdade, é que eu não via necessidade em gritar pro mundo, sendo uma coisa minha e da pessoa em questão, eu achava que ficava sempre muito claro o que minhas atitudes de alguém que gostava queriam dizer.
Depois, parei pra pensar e percebi que, realmente, nunca fui de demonstrar muito. Mas sendo a pessoa transparente que sou, achei que demonstrações exacerbadas de carinho e afeto iam soar falsidade, já que aquela intensidade exigida para que elas aconteçam, nunca foi, de fato, antes, sentida por mim. Mas, há algum tempo, eu sinto. Comecei a pensar em todas as lições que esse filme me ensinou, uma vez que o reassisti. Porque, em resumo, ele ensina que, ANTES QUE TERMINE O DIA, você deve dizer, você deve abrir seu coração, você deve detalhar o que você sente. E não falo de fazer tudo isso para as amigas, porque assim as coisas são fáceis demais. Mas você já experimentou dizer isso pra alguém por quem você realmente sente tudo isso e sentir seu corpo tremer do dedinho do pé ao último fio de cabelo? Eu já.
Parei pra pensar em como podia deixar claro pra ele que o que eu sentia era pra valer e que eu precisava de uma forma de demonstrar isso. Me aproveitei, claro, de datas especiais como aniversário, dia do amigo, natal... Essas datas em que a gente se pega bem sentimental e não sabe a hora de frear. Certa vez, eu e minha amiga prometemos uma à outra que íamos demonstrar o que sentíamos pelas pessoas que estavam ao nosso lado, pois, concluímos que estávamos mesmo precisando extravasar. Foi nesse dia que eu decidi que ia mandar pra ele uma mensagem com um trecho de músicas TODOS OS DIAS, pra que ele soubesse que, pelo menos naquele momento, eu tinha pensado nele e que eu tinha gastado pensamento tentando encontrar uma música que se encaixasse com o que a gente vivia.
A partir daí, a sementinha da declaração entrou na minha vida, e eu percebi que as coisas foram ficando tão mais fáceis. Aquele medo de me sentir vulnerável, praticamente nua, entregue, tinha passado, e eu sentia as palavras fluírem a cada dia com mais facilidade e, às vezes surgiam declarações inesperadas bem no meio das nossas conversas mais rotineiras. Como: "Meu dia? Foi muito estressante. Mas estar com você é o que me deixa feliz". Não sei se porque eu dizia com significado cada palavra de tudo que eu já disse pra ele até hoje, porque eu sentia o meu coração vibrar de felicidade e de calmaria ao mesmo tempo, ou se porque os olhos dele sempre me disseram algo em troca, sempre o que eu precisava "ouvir". Hoje, eu tenho a certeza de que ele não tem a menor dúvida de tudo o que sinto (nem ninguém nesse mundo), porque pra ele sim, abri o coração, soltei o verbo, senti e fui cada palavrinha dita. Tudo foi dito com a mais pura verdade, vinda de um lugar que, na minha vida, na minha história, sempre vence: meu coração.

